Doutor, cuidado com o WhatsApp!

Reading Time: 3 minutesDas receitas formais aos bilhetinhos entregues na recepção dos hospitais para médicos, muita água já rolou por debaixo da ponte da comunicação em medicina. E, como diria o provérbio, independente de argumentos contrários, “vale o que está escrito”. Atualmente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) permite a utilização de ferramentas como o conhecido WhatsApp para

Por: admin
Atualizado em: 19/06/2018
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Das receitas formais aos bilhetinhos entregues na recepção dos hospitais para médicos, muita água já rolou por debaixo da ponte da comunicação em medicina. E, como diria o provérbio, independente de argumentos contrários, “vale o que está escrito”.

Atualmente, o Conselho Federal de Medicina (CFM) permite a utilização de ferramentas como o conhecido WhatsApp para trocas de mensagens entre médicos colegas profissionais, visando realizar discussões de casos clínicos, desde que não sejam identificáveis. Em relação aos pacientes, embora o uso facilite o contato e já esteja sendo amplamente utilizado na prática, as diretrizes do CFM proíbem o seu uso para a realização de consultas a distância, restringindo o aplicativo apenas ao esclarecimento de dúvidas pontuais.

A questão de como usar as novas tecnologias em benefício da medicina, mantendo a ética e resguardando o sigilo das informações, bem como uma relação saudável entre médico e paciente – considerando-se que, com um celular na mão, é possível replicar uma informação para centenas de pessoas em poucos segundos – está entre os temas mais delicados discutidos no setor atualmente.

“Quando falo com os médicos, sempre lembro que, mesmo sendo o WhatsApp uma ferramenta importante, tudo o que ele escrever pode ser utilizado como prova contra ele. E isso tem sido muito comum, já que, em processos, o paciente tem incluído instruções que o médico deu para ele utilizando esse serviço de mensagens”, conta a consultora jurídica especializada em Direito Médico e da Saúde, Sandra Franco.

Ela cita um exemplo hipotético: imagine uma paciente que realizou uma cirurgia e entra em contato com o médico dizendo que não consegue respirar direito, pois sente um pouco de dor. Uma resposta quase automática, em que o médico diz que a dor é normal e indicando algum analgésico para alívio, pode não ser adequada.

“Supondo que essa paciente tenha uma piora porque o problema na respiração já prenunciava uma embolia pulmonar, isso vai aparecer como um fato negativo para o médico, que sequer disse para ela passar no consultório ou procurar um serviço de saúde a fim de ver qual era de fato o problema. O médico acabou seguindo uma orientação padrão e não conseguiu perceber que aquele era um caso fora da curva para dar a orientação correta”, analisa.

Para evitar complicações legais, algumas dicas podem ser preciosas para fazer o bom uso da ferramenta. Confira:

  • Função do WhatsApp

Reforce que essa ferramenta não é um espaço para realizar consultas a distância e não será possível receitar medicamentos, de acordo com as queixas enviadas. Explique que é um canal para dúvidas pontuais e eventuais na hora da aplicação de um remédio prescrito, por exemplo, entre outras dúvidas relacionadas ao atendimento presencial.

  • Mensagens afetivas

O médico deve explicar para o paciente que aquele é um canal exclusivo para dúvidas, não sendo adequado para bate-papos, mensagens de carinho ou amizade. Assim, evita-se a frustração de algumas pessoas que, por conta da situação, demandam um pouco mais de atenção afetiva, o que pode piorar a relação entre as partes, caso o médico não corresponda.

  • Disponibilidade de tempo

É necessário deixar claro o horário em que aquele canal pode ser acessado – lembrando que mesmo que o paciente tenha direito às informações sobre o seu quadro, o médico não está disponível para ele 24h por dia. Avise que as repostas podem não ser imediatamente respondidas, já que todo profissional também tem outros casos sob sua responsabilidade.

  • Regras claras

O ideal é estabelecer regras para o uso de WhatsApp e registrá-las por escrito, seja em um cartaz no consultório ou em um papel a ser entregue ao paciente, especificando os procedimentos para boa utilização da ferramenta.

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