Criptomoedas: esclareça suas dúvidas antes de investir

Reading Time: 3 minutesNotícias sobre a valorização expressiva de determinadas criptomoedas atraem a atenção e despertam o interesse em investir nesses ativos. Só que as oscilações de preços nem sempre são positivas, podendo frustrar investidores que não estão preparados para lidar com a volatilidade desse mercado.  Investir em criptomoedas requer apetite pelo risco, tal qual ocorre com investimentos

Por: admin
Atualizado em: 04/03/2022
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Notícias sobre a valorização expressiva de determinadas criptomoedas atraem a atenção e despertam o interesse em investir nesses ativos. Só que as oscilações de preços nem sempre são positivas, podendo frustrar investidores que não estão preparados para lidar com a volatilidade desse mercado. 

Investir em criptomoedas requer apetite pelo risco, tal qual ocorre com investimentos em renda variável. Além disso, o investidor precisa ter um certo conhecimento desse universo para tomar decisões melhores sobre as criptomoedas que irá comprar, quando vendê-las para realizar o lucro e quais cuidados deve adotar para atenuar riscos e evitar armadilhas.

Qual a diferença entre criptoativo, criptomoeda e moeda digital?

“Em termos conceituais, existe diferença entre criptoativo, criptomoeda e moeda digital”, explica Francisco Gomes Júnior, advogado especialista em direito digital e crimes cibernéticos e presidente da Associação de Defesa de Dados Pessoais e Consumidor (ADDP). “O criptoativo é um ativo que tem uma utilidade específica em determinada plataforma. É um termo mais amplo que engloba tudo no universo cripto (criptomoedas, stablecoins, tokens, plataformas, protocolos e blockchains).”

Toda criptomoeda, portanto, é um criptoativo, mas o inverso não é verdadeiro. “As criptomoedas são moedas digitais e criptografadas, que são únicas, não divisíveis e transferíveis”, descreve. “Elas são criptoativos utilizados para pagamentos e demais transações financeiras realizadas exclusivamente de forma virtual, que podem ser usados em qualquer parte do mundo.”

Já o termo “moeda digital” se aplica a “qualquer moeda emitida por via eletrônica”, esclarece o advogado. “A criptomoeda é uma moeda digital especial que tem por trás um protocolo de tecnologia, geralmente uma blockchain”, compara.

O que avaliar ao escolher uma criptomoeda para investir?

Atualmente, existem mais de 10 mil criptomoedas no mercado. A primeira e mais valiosa delas é o bitcoin (BTC), que foi lançado em 2009. De lá para cá, o processo de criação desses ativos se tornou mais fácil. Diariamente surgem novidades, ampliando opções para quem quer investir. Só que nem todas têm futuro. Por isso, é importante ser criterioso na escolha.

“Para escolher uma moeda digital, é necessário avaliar benefícios e riscos”, ensina Gomes Júnior. Essa análise deve considerar, principalmente, os seguintes aspectos:

  • o tempo de existência da criptomoeda;
  • o comportamento ao longo desse tempo; 
  • a tecnologia empregada (blockchain, por exemplo); 
  • a liquidez da moeda. 

“Caso se trate de uma moeda atrelada ou garantida por um determinado governo, o risco pode ser maior, até porque, conceitualmente, as criptomoedas foram criadas para que não se tenha interferência de bancos centrais em sua cotação ou comercialização”, acrescenta. “O certo é que moedas mais antigas, conhecidas e tradicionalmente comercializadas, oferecem risco menor.”

Quais são os cuidados necessários ao investir em criptomoedas?

Além da análise na escolha da criptomoeda, é preciso adotar cuidados adicionais para mitigar riscos e, principalmente, não cair em fraudes. “Para investir em criptomoedas, é necessário conhecer seu funcionamento”, frisa Gomes Júnior. “De início, é necessário entender que não se trata de um investimento tradicional (há quem questione até mesmo o fato de ser investimento uma operação de criptomoedas)”, destaca o advogado. 

Saber como funciona o mercado de criptomoedas é fundamental, pois assim fica mais fácil identificar tentativas de fraude e promessas irreais. “Vários golpes foram praticados através de estelionatários que dizem comercializar criptomoedas garantindo um rendimento de 5% ou 7% ao mês”, alerta. Ou seja, o golpista assemelha a negociação de criptomoedas a um investimento de renda fixa com ganhos exorbitantes. Uma proposta como essa tem a característica de uma pirâmide financeira, “com grande chance de ser lesado”, adverte o especialista. 

“Muito mal comparando, poderíamos dizer que a compra de criptomoedas seria, de longe, semelhante a uma compra de ações, em que você investe um valor e recebe o número de criptomoedas equivalente ao valor na data de sua compra, e elas ficam em sua carteira com disponibilidade para que você possa vendê-las no momento que desejar”, orienta. 

Dessa forma, vale a pena enfatizar dois cuidados fundamentais ao investir em criptomoedas.

  • Escolha uma corretora confiável: para que a operação seja segura, utilize-se de corretoras tradicionais e com boa reputação no mercado. Faça uma pesquisa e uma checagem daquelas existentes.
  • Desconfie de propostas incomuns: não acredite em promessas de ganhos exorbitantes.

Como as criptomoedas são armazenadas? 

“As criptomoedas ficarão em sua carteira digital, geralmente no aplicativo de sua corretora, e poderão ser comercializadas somente através da senha que você possua para tanto”, orienta Gomes Júnior. “Portanto, se usar o aplicativo em celular, não armazene a senha no aparelho, mas sim em outro dispositivo, e jamais compartilhe-a com outra pessoa.”

Ao investir em criptomoedas, direcione apenas uma pequena parte da sua renda para essas operações, principalmente se você está iniciando nesse mercado. Não custa reforçar: uma boa prática para manter em relação aos seus investimentos é a diversificação — assim você rentabiliza o dinheiro sem arriscar a sua previdência, ou seja, a reserva financeira para o futuro. 

Além de adotar todos os cuidados ao investir em criptomoedas, você também precisa prestar contas à Receita Federal. Continue no nosso blog e saiba como declarar investimentos no Imposto de Renda.

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