Fundo de reserva para clínicas: saiba como administrar esse recurso

Reading Time: 3 minutesNa gestão financeira das empresas, o fundo de reserva é aquela boa prática conhecida de todos, mas nem sempre realizada com o rigor necessário. Afrouxar o controle em relação à administração desse recurso é um erro comum que, em cenários complexos como o atual, pode custar muito caro aos gestores. Vivemos um período de alta

Por: admin
Atualizado em: 18/03/2022
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Na gestão financeira das empresas, o fundo de reserva é aquela boa prática conhecida de todos, mas nem sempre realizada com o rigor necessário. Afrouxar o controle em relação à administração desse recurso é um erro comum que, em cenários complexos como o atual, pode custar muito caro aos gestores.

Vivemos um período de alta da inflação e das taxas de juros, fato que resulta em um custo maior de financiamento para as empresas que dependem de crédito. Ou seja, o ideal é evitar ao máximo o endividamento. O fundo de reserva cumpre esse papel importante ao garantir que a empresa terá recursos para se manter, independentemente de situações que possam prejudicar seu fluxo de caixa.

Cabe ressaltar que a empresa sempre deve dar atenção à gestão de riscos e recorrer a instrumentos que garantam proteção contra imprevistos mais críticos, a exemplo do seguro patrimonial e do seguro de responsabilidade civil profissional. No entanto, há uma série de situações do dia a dia que podem exigir recursos extras — o fundo de reserva deve ser capaz de suprir essas demandas.

Existem situações que devem ser sempre consideradas, como a possibilidade de queda pontual no faturamento ou o surgimento de um custo inesperado. O fundo de emergência consegue compensar essas situações sem que seja necessário recorrer ao financiamento do capital de giro.

Proteção para o fluxo de caixa

“O fundo de reserva nada mais é do que uma reserva financeira formada ao longo do tempo e serve para cobrir despesas com eventuais imprevistos, sem comprometer o fluxo de caixa”, explica Leandro Lazzareschi, que é coordenador dos programas de pós-graduação do Centro Universitário São Camilo, consultor do Conselho Estadual de Educação (Câmara de Ensino Superior) e avaliador especialista ad hoc Sinaes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC).

A manutenção do fundo de reserva é, portanto, uma forma de proteger o fluxo de caixa da empresa. Lazzareschi lembra que a pandemia serve como um exemplo. A crise, comenta, “afetou o mundo inteiro e, no Brasil, levou mais de 600 mil micro e pequenas empresas a fecharem as portas” (conforme dados divulgados pelo Sebrae). “Muitas delas até tinham previsto um fundo de reserva, porém não imaginavam que esta pandemia iria perdurar por tanto tempo.”

O fundo de reserva é previsto para um amplo conjunto de situações, como a perda de clientes, a necessidade de realizar reformas ou manutenções emergenciais e até mesmo para investir em novos negócios, entre outras possibilidades. Por isso, Lazzareschi reforça que esse é um item que “deve ser obrigatório em todas as modalidades de empresas”.

É fundamental que a empresa entenda as situações em que o fundo de emergência pode ser necessário, de acordo com o seu perfil, para que consiga ter melhor previsibilidade em relação à reserva que deve ser feita. O especialista cita, no caso da área da saúde, a possibilidade de que a empresa tenha algum impacto financeiro em decorrência das “glosas” dos convênios.

“Dependendo da empresa de saúde, mais especificamente empresas de pequeno porte e/ou que dependem somente de convênios como principal fonte de recebíveis, se não existir a previsibilidade deste fundo de reserva, uma única glosa de convênio pode levar ao declínio total. Logo, devemos sempre trabalhar com possíveis cenários de mercado.”

Onde investir o fundo de reserva?

Lazzareschi adverte que é preciso evitar usar o fundo de reserva de forma inadequada. “O fundo deve ser encarado como uma poupança, pois intempéries no mundo dos negócios são parcialmente previsíveis. Portanto, esteja preparado sempre!”

Outro ponto essencial é ter uma boa gestão financeira do dinheiro que está sendo direcionado para o fundo de reserva. O recomendado é alocar esse recurso em investimentos com liquidez diária e de médio prazo. Outra recomendação do especialista é a diversificação. “Nunca deposite tudo em uma única aplicação”, aconselha. “Existe uma volatilidade muito grande dos rendimentos, portanto um acaba compensando o baixo rendimento do outro.”

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