Isolamento social favoreceu aumento de casos de bruxismo, mostra estudo

Reading Time: 2 minutesNa pandemia de covid-19, houve um aumento do sofrimento psicológico, dos sintomas psíquicos e dos transtornos mentais. Muitas pessoas em tratamento relataram , enquanto outras desenvolveram diversos problemas relacionados à saúde mental. As consequências do isolamento, aos poucos, vão aparecendo. Uma delas foi o aumento de casos de bruxismo nos primeiros meses da pandemia. De

Por: admin
Atualizado em: 28/04/2022
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Na pandemia de covid-19, houve um aumento do sofrimento psicológico, dos sintomas psíquicos e dos transtornos mentais. Muitas pessoas em tratamento relataram , enquanto outras desenvolveram diversos problemas relacionados à saúde mental. As consequências do isolamento, aos poucos, vão aparecendo.

Uma delas foi o aumento de casos de bruxismo nos primeiros meses da pandemia. De acordo com um estudo publicado no Brazilian Journal of Pain, no dia 4 de março deste ano, os participantes relataram sentir-se  nervosos ou estressados durante o período de afastamento e mencionaram sintomas de bruxismo.

Como o estudo foi feito e os principais resultados

Os pesquisadores da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG) e do Instituto Neurológico de Curitiba (INC) entrevistaram, pela internet, 1.476 pessoas entre maio e agosto de 2020.

As perguntas do questionário envolviam perguntas sobre informações sociodemográficas, sintomas de bruxismo, qualidade de vida e autocompaixão. Confira os principais achados do estudo:

  • 1.265 (85,70%) dos participantes declararam apresentar apertamento diurno;
  • mais da metade dos entrevistados (843, 57,11%) relatou ranger de dentes; 
  • 1.054 (71,41%) relataram tanto apertamento quanto ranger de dentes; 
  • a maioria dos entrevistados (1.128 ou 76,42%) relatou percepção negativa dos sintomas de bruxismo no último mês;
  • todos os participantes (1.476, 100,00%) estavam se sentindo nervosos ou estressados durante o período de isolamento induzido pela pandemia;
  • 289 (19,58%) pessoas iniciaram sintomas de fadiga ou dor nos músculos da face ao acordar;
  • 318 (21,54%) iniciaram com fadiga muscular e desconforto nos dentes ao acordar.

Para os pesquisadores, há uma evidente correlação entre emoções negativas e sinais de bruxismo que evidencia a necessidade de ações preventivas e de tratamento para os sintomas, como  dor de cabeça, mandíbula travada e fadiga muscular.

“Fizemos a pesquisa esperando um aumento nos sintomas de bruxismo, mas não tanto quanto apresentou a amostra. As oscilações da pandemia, com novas cepas e o aumento no número de casos ainda impactam a população, e precisamos pensar em como diminuir o risco destas disfunções“, disse Marcelo Lourenço da Silva, professor da Faculdade de Fisioterapia na Unifal-MG, à Agência Bori. 

Além do bruxismo

Neste mesmo estudo, os pesquisadores notaram que outras manifestações orais também apareceram entre os entrevistados, devido ao apertamento dentário, além da diminuição das atividades físicas e sociais, bem como mudanças no horário do sono.

Entre os participantes, 85,77% relataram uma percepção de estalidos articulares, dor no ouvido (78,50%), dor atrás do ouvido (63,21%) e fadiga mandibular (64,84%).

No artigo, os autores explicam que esses sintomas são características da DTM, “um grupo de distúrbios envolvendo os músculos mastigatórios, a articulação temporomandibular e estruturas associadas”, de acordo com a Academia Americana de Dor Orofacial (AAOP). 

Segundo o estudo, as DTM têm uma etiologia multifatorial e, entre elas, a sobrecarga gerada pelo bruxismo diurno e noturno. Por isso, é importante que os pacientes sejam tratados corretamente, seja com fisioterapia, medicamentos, além de mudanças na rotina (como comer devagar, evitar chicletes e deixar de roer a unha).

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