Lições para uma Liderança Duradoura – XVIII Ainda nos tempos de Pandemia

Sob qualquer aspecto não há como comparar as consequências da epidemia da Gripe Espanhola de 1918 com as decorrências que advirão desta pandemia da Covid-19 (só como ilustração: ambas podem ser nominadas pelo título que se queira dar: pandemia ou epidemia global). Nos primórdios do Século XX, em tempos finais da Primeira Guerra Mundial, o

Por: Nilson May
Atualizado em: 31/07/2020
2 min

Sob qualquer aspecto não há como comparar as consequências da epidemia da Gripe Espanhola de 1918 com as decorrências que advirão desta pandemia da Covid-19 (só como ilustração: ambas podem ser nominadas pelo título que se queira dar: pandemia ou epidemia global).

Nos primórdios do Século XX, em tempos finais da Primeira Guerra Mundial, o planeta ainda engatinhava sob o ponto de vista das comunicações, das relações continentais, do conhecimento científico, das noções de infectologia, da ínfima disponibilidade de medicamentos. Nem sequer a penicilina, como primeiro antibiótico eficaz, havia sido descoberta (isso só ocorreu ao final da Segunda Grande Guerra). Portanto, quando o vírus chegou e progressivamente atingiu o território planetário, boa parte da população interpretou aquilo como uma praga de origem divina, sem entender a disseminação explicada em bases científicas. Tampouco sabiam, pelas dificuldades de comunicação, o que estava acontecendo no outro continente. O ritmo era o imprimido pelos navios, em seus ancoradouros portuários.

Hoje, no patamar do Século XXI, a evolução dos tempos chegou-nos tão rápida e tão plena de inovações, que parece ter transcorrido mil anos desde lá até aqui. E foram apenas cem. Sabemos diariamente o número de vítimas da Covid-19 nos países europeus ou asiáticos; se a morte for de alguém de representatividade política, científica ou cultural, apenas alguns minutos após o ocorrido. A economia nos tempos da Gripe Espanhola tinha feição grandemente diversa da modernidade. Na era atual, uma palavra do presidente norte-americano no sentido de barrar o ingresso de estrangeiros nos aeroportos, ou de acusar o laboratório de pesquisa chinês – por exemplo – será o suficiente para provocar outra pandemia na área da economia global: as Bolsas de Valores despencam, e a paridade com o dólar desvaloriza as moedas locais. Essa é a pós-modernidade, onde tudo se modifica rápido, em sua terrível e progressiva volatilidade nos contextos da normalidade dos países, e por consequência, na vida diária das pessoas. 

Portanto, diante das catastróficas decorrências sanitária e econômica dos países atingidos, mais do que nunca, precisamos de uma liderança firme e sólida, para assumir o controle da crise e de suas consequências. Fred Greenstein, cientista político norte-americano, em publicações da década passada, tratando de pesquisas sobre o “dom da liderança”, já afirmava que esta é uma característica que alguns têm, e outros não têm. “A liderança é uma qualidade de nascença” – dizia ele – “e que alguns líderes só apresentam esta vocação em situação-limite”. 

Cada família, cada distrito, cada empresa, estado ou país precisará, neste momento de crise, de um líder que assuma o controle dessa situação emergencial, tal qual falava Greenstein, para ser o condutor na construção de novos rumos, alicerçados em outras bases, quiçá totalmente diversas daquelas que já pertencem ao passado.

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