Por muito tempo, o seguro de vida foi associado quase exclusivamente à cobertura por morte. Essa percepção, no entanto, vem mudando de forma acelerada. Hoje, o principal gatilho de acionamento do produto é a proteção em vida. Coberturas como Perda de Renda, Diagnóstico de Câncer, Doenças Graves e Invalidez funcionam como um suporte financeiro para momentos em que o segurado precisa, seja durante um afastamento por doença, um acidente ou a interrupção temporária da capacidade de trabalho.
Para a classe média e para empreendedores e profissionais autônomos, cuja renda depende diretamente da própria capacidade produtiva, esse tipo de proteção deixou de ser um diferencial e passou a ser considerado essencial.
Para entender como essa mudança de percepção vem transformando o mercado, da informalidade no trabalho à baixa cobertura efetiva do INSS, passando pelo envelhecimento populacional e pela evolução do seguro prestamista, conversamos com o superintendente Comercial e de Produtos da Seguros Unimed, Rodrigo Aguiar.
Na entrevista a seguir, ele detalha como coberturas como o Serit (Seguro de Renda por Incapacidade Temporária) e o Doenças Graves atuam como verdadeiros substitutos de salário, garantindo estabilidade financeira à família enquanto o segurado se dedica à recuperação.
1. Qual é hoje o principal gatilho de uso do seguro de vida e o impacto dele na classe média e empreendedores?
Rodrigo Aguiar: O principal gatilho de uso do seguro de vida hoje é a proteção em vida. Por meio de coberturas como Perda de Renda, Diagnóstico de Câncer, Doenças Graves e Invalidez, principalmente para a classe média e empreendedores, funciona como um suporte financeiro essencial para a manutenção do padrão de vida e substituição de renda em casos de afastamento por doença ou acidente, impedindo que imprevistos de saúde causem um colapso no patrimônio pessoal ou no fluxo do negócio.
2. Como a alta informalidade no mercado de trabalho brasileiro afeta essa carteira securitária?
Aguiar: Esse cenário representa uma oportunidade para o setor. O número de trabalhadores informais no mercado de trabalho abre espaço para o desenvolvimento de soluções mais simples e customizáveis, que atendam às necessidades específicas desse público e ampliem a inclusão securitária no país.
3. As coberturas em vida ainda são pouco compreendidas pelo consumidor? Como explicar para ele parâmetros de coberturas como “invalidez permanente total ou parcial por acidente ou doença”, “doenças graves” (câncer, AVC, infarto, Alzheimer etc.), “cobertura para profissionais liberais e autônomos” e “diária por incapacidade temporária (DIT)”?
Aguiar: A percepção de que o seguro de vida só é acionado em caso de falecimento tem mudado significativamente, mas ainda representa um desafio de comunicação com o consumidor. Nosso esforço tem sido focado em reposicionar o seguro de vida como um instrumento de cuidado em vida, um suporte financeiro e de bem-estar para momentos de vulnerabilidade.
Para desmistificar e facilitar a compreensão das coberturas em vida, focamos em demonstrar seu valor prático e a precisão do risco coberto. O Doenças Graves (DG), por exemplo, procuramos deixar claro que é um apoio financeiro em vida, que garante o pagamento de um capital segurado em parcela única no momento do diagnóstico de uma patologia de alta incidência coberta (incluindo câncer, sequelas, supervisão, permanência para AVC, infarto, Alzheimer, entre outras).
O nosso produto, aqui na Seguros Unimed, oferece a possibilidade de contratação da cobertura de Doenças Graves de forma independente da cobertura por morte. Isso demonstra nosso compromisso com a priorização do cuidado em vida, atendendo à necessidade real do cliente de ter recursos imediatos para custear tratamentos, adaptar o lar, ou simplesmente manter a estabilidade financeira familiar enquanto se dedica à recuperação.
Já para o seguro voltado para incapacidade temporária, temos em nosso portfólio o Serit (Seguro de Renda por Incapacidade Temporária) por cada dia que o segurado se encontrar temporariamente incapaz de exercer sua profissão, em função de acidente ou doença. Neste caso, procuramos deixar claro como este produto é essencial para profissionais liberais e autônomos, cuja renda depende diretamente da sua capacidade de trabalho. Explicamos que, diferente de um trabalhador CLT que pode ter um período de afastamento remunerado, este seguro atua como o “salário” durante o tempo de recuperação, sendo uma proteção fundamental contra a perda de renda.
Em essência, a chave é comunicar que o seguro de vida, em sua versão ampliada com coberturas em vida, é um planejamento de risco que protege o futuro financeiro do segurado contra imprevistos de saúde, permitindo que o foco total seja no bem-estar e na recuperação.
4. Como as seguradoras precificam risco crescente de doenças crônicas?
Aguiar: Para garantir a sustentabilidade do modelo e oferecer preços adequados, a Seguros Unimed adota uma gestão do negócio baseada em um pilar contínuo de precificação adequada dos produtos. É fundamental que os riscos que entram nas carteiras sejam conhecidos e, portanto, precificados corretamente. Vale ressaltar que também somos referência nesta questão no segmento de saúde.
5. O produto pode tornar-se um instrumento de renda complementar, ou seja, complementar, por exemplo, ao INSS? Há, contudo, baixa cobertura previdenciária efetiva?
Aguiar: Sim, o seguro de vida atua como um instrumento essencial de renda complementar à Previdência Social, especialmente diante da baixa cobertura efetiva do INSS, que raramente reflete a realidade financeira de quem possui rendimentos acima do teto ou recebe remunerações variáveis. Para o profissional CLT, a cobertura de DIT (Diária de Incapacidade Temporária por Acidente) funciona como uma “ponte de liquidez”: enquanto o benefício previdenciário costuma sofrer reduções drásticas devido às regras de cálculo e limitações de teto, a DIT paga as diárias contratadas diretamente ao segurado em caso de afastamento por acidente, garantindo que a diferença entre o salário real e o auxílio-doença seja coberta, preservando integralmente o padrão de vida da família durante o período de recuperação.
6. Seria exagero afirmar o crescimento do uso do seguro de vida como “substituto de salário”?
Aguiar: Não é exagero, mas uma realidade técnica: o seguro de vida moderno atua como um substituto de salário ao blindar a capacidade de geração de renda do segurado. Diante de um afastamento por doença ou acidente, coberturas como a DIT (Diária de Incapacidade Temporária por Acidente) e as indenizações por doenças graves garantem a liquidez necessária para manter o padrão de vida, preenchendo o vácuo financeiro deixado pela interrupção do trabalho e pelas limitações de teto e carência do INSS.
7. Um seguro prestamista “ampliado” (ou com coberturas mais abrangentes) diferencia-se do básico por oferecer proteção para uma gama maior de eventos, trazendo mais tranquilidade financeira para o segurado e sua família, além de proteger o credor. Esse seguro prestamista “ampliado” evolui e contribui para a estabilidade financeira?
Aguiar: O seguro prestamista “ampliado” evolui significativamente e é uma ferramenta fundamental para a estabilidade financeira de todas as partes envolvidas.
Primeiramente, ao oferecer coberturas mais abrangentes, que incluem proteção para casos de morte, invalidez total e permanente por acidente, perda de renda por desemprego involuntário e incapacidade física total e temporária por acidente ou doença, o produto transmite grande tranquilidade ao segurado e à sua família. Em situações de perda de renda ou desemprego durante um longo financiamento imobiliário, por exemplo, o seguro garante o pagamento total ou parcial da dívida, evitando o acúmulo de parcelas e minimizando o risco de o segurado ter o seu patrimônio penhorado ou tomado.
Para as instituições credoras, como bancos, financeiras e cooperativas de crédito, o seguro prestamista é essencial para manter a saúde e a organização financeira, reduzindo ativamente a inadimplência. Diante de um imprevisto coberto ocorrido com o cliente, a entidade recebe o pagamento da dívida, o que reduz consideravelmente os riscos de prejuízo.
8. E o envelhecimento populacional, como o setor lida com ele e à crescente longevidade sem renda garantida? Onde o seguro de vida pode se transformar em “solução” para esse contexto?
Aguiar: O setor de seguros lida com esse cenário enxergando tanto a necessidade de proteção, quanto às oportunidades da “economia prateada“, entendendo que o pilar financeiro (qualidade de vida econômica) é a base para que o idoso possa custear moradia, saúde e bem-estar.
Nesse contexto, os produtos de proteção deixam de ser opcionais e se transformam nas soluções mais sólidas e urgentes para a sociedade. O seguro de vida oferece proteção patrimonial e à saúde, garantindo a segurança necessária para que o patrimônio familiar não seja afetado por imprevistos.
O Serit, por sua vez, visa a manutenção da renda e envelhecimento ativo. Com a longevidade, profissionais autônomos e liberais permanecem mais tempo no mercado. Ele protege a renda desses profissionais em caso de afastamento por doença ou acidente. Como grande diferencial do setor para apoiar o envelhecimento digno, o seguro não é cancelado por idade, garantindo proteção contínua.
A Seguros Unimed reconhece que o envelhecimento exige uma nova governança financeira. Posicionamos nosso portfólio, do qual somos referência de mercado, como o parceiro indispensável para que o brasileiro possa desfrutar da longevidade de forma plena, ativa e com sua estabilidade garantida.