Cuidar de um colaborador deixou de ser sinônimo de plano de saúde bom e happy hour de sexta. Hoje, significa reconhecer, prevenir e responder pelos riscos reais que o trabalho impõe à saúde mental, física e financeira das pessoas, com evidência, não só com discurso bonito.
Esse cenário começou a mudar de uma forma que pegou de surpresa algumas empresas. A Norma Regulamentadora n1º (NR-1), passou a exigir provas técnicas de como os riscos do trabalho são mapeados e não só mencionados em uma visão de cultura. Além disso, os próprios colaboradores passaram a querer que a empresa realmente enxergue a realidade do dia a dia.
Entre os riscos mapeados estão:
- sobrecarga;
- assédio;
- jornadas exaustivas;
- pressão por prazos;
- conflitos;
- falta de apoio.
Com uma rotina mais corrida e um aumento no número de diagnósticos de ansiedade e depressão, os profissionais passaram a cobrar um posicionamento para além do discurso. Querem a confiança de que ele será cuidado integralmente.
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que houve um aumento de 15% no número de casos de afastamento por conta da saúde mental, com maior número de diagnósticos de ansiedade e depressão. A Organização Mundial da Saúde (OMS), publicou um estudo que reforça esse cenário, colocando o Brasil como líder mundial em casos de transtorno de ansiedade e em 5º lugar no ranking de taxas de depressão.
Por que saúde mental deixou de ser “só bem-estar”?
Até pouco tempo, cuidar da saúde mental dos funcionários era visto como um gesto de boa vontade da empresa, algo generoso e opcional. Isso mudou com a NR-1. Na prática, o RH deixou de atuar só com o acolhimento dos colaboradores e passou a responder tecnicamente pela forma como o trabalho é organizado.
A partir de agora, quando houver evidências de que o profissional adoeceu por conta do trabalho, a empresa poderá ser chamada para comprovar quais medidas tomou e quais ações preventivas implementou, por exemplo.
Dá pra estar bem e esgotado ao mesmo tempo?
Aqui mora um paradoxo interessante. Pesquisas recentes mostram o trabalhador brasileiro mais engajado do que a média mundial e, ainda assim, batendo recorde de estresse. Isso desmonta uma ideia de que time engajado é time sem problema. Dá, sim, pra gostar do que faz e estar no limite. E é justamente por isso que o cuidado não pode ser tratado como prêmio para quem já vai bem.
Os brasileiros têm um índice de engajamento no trabalho de 32%, ultrapassando a média da América Latina, que é de 30%, e afirmam estar prosperando na vida. Em contraponto, o mesmo relatório State of the Global Workplace indica que 45% dos trabalhadores do país declararam ter vivenciado níveis agudos de estresse durante o expediente.

O que sustenta a confiança dentro de uma empresa?
Todos esses pontos levam a uma pergunta mais simples e mais difícil de responder: como fazer o time acreditar que o cuidado é real, e não só uma frase bonita de campanha interna? Nenhuma política de bem-estar sobrevive se as pessoas sentem, no dia a dia, uma distância entre o que a empresa diz e o que pratica. A confiança não se anuncia, se confirma na prática, repetida, ano após ano.
Você sabia que esse termo tem, inclusive, um nome? Wellbeing washing, que na tradução significa “lavagem de bem-estar”, e representa as empresas que falam sobre benefícios de cuidado, mas não agem na prática.
Um estudo do McKinsey Health Institute apontou que as lideranças tendem a ter uma percepção mais alta da saúde mental do colaborador do que ele mesmo. A diferença média da classificação de saúde mental e bem-estar no trabalho é de 22%.

A neurociência pode explicar como a confiança faz diferença na saúde e bem-estar do colaborador. Investigações conduzidas por Paul Zak, sintetizadas na obra Trust Factor e na Harvard Business Review, comprovam que ela é uma variável valiosa para aumentar a capacidade de empatia, reduzir as reações defensivas ao medo e arrefecer os efeitos inflamatórios do estresse prolongado.
Segundo Paul, funcionários em culturas de alta confiança vivenciam:
- 74% menos estresse;
- 106% mais energia no trabalho;
- 50% mais produtividade;
- 76% mais engajamento.
Um exemplo de como isso vira prática: a Seguros Unimed
É exatamente esse ponto que o case da Seguros Unimed ilustra bem. Pela sétima vez consecutiva, a seguradora foi eleita um dos “Lugares Mais Incríveis para Trabalhar”, prêmio do Estadão em parceria com a FIA Business School. E, em 2025, alcançou o primeiro lugar entre grandes empresas do setor de bancos e serviços financeiros, além do primeiro reconhecimento específico em bem-estar no trabalho.
Mas o dado mais revelador não é o prêmio. É o que o próprio time responde internamente: 97,9% dos colaboradores dizem sentir orgulho de fazer parte da empresa, 91,9% confiam no que seus líderes comunicam e 93,7% afirmam que o que a companhia divulga nas redes sociais reflete o que acontece no dia a dia de trabalho.
É essa coerência entre discurso e prática que transforma um portfólio de benefícios em algo que o time sente como cuidado de verdade, não como política de RH. Desde 2018, a empresa mantém o Programa de Saúde Integrada, estruturado nos pilares físico, emocional, financeiro e social. Entre as iniciativas estão a Clínica de Atenção Primária à Saúde (APS), programas de gestação segura, ginástica laboral, consultoria financeira personalizada, além de atendimentos psicológico e psiquiátrico.
A companhia também aplica internamente as soluções de saúde e bem-estar que oferece ao mercado. “O bem-estar do colaborador é prioridade na Seguros Unimed. Garantir um ambiente de trabalho saudável e acolhedor é um meio para alcançar resultados sustentáveis. Somos uma empresa que busca entregar bons resultados para todos os nossos públicos, e entendemos que o ambiente de trabalho é fundamental na boa performance e, consequentemente, na entrega desses bons resultados”, afirma Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed.
O aprendizado por trás disso é simples: cuidar bem de quem trabalha com você não é só proteger pessoas. É também validar, internamente, tudo aquilo que a empresa promete entregar para fora. Talvez o maior desafio do RH em 2026 não seja criar mais um benefício. Seja, principalmente, sustentar a confiança que faz um time acreditar que o cuidado é real.
Dúvidas mais comuns
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Saúde integrativa no RH refere-se a uma abordagem holística que vai além de benefícios tradicionais, reconhecendo e prevenindo riscos reais à saúde mental, física, financeira e social dos colaboradores. Diferentemente do bem-estar superficial, ela exige evidência técnica, mapeamento de riscos e coerência entre o discurso da empresa e suas práticas reais no dia a dia.
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A Norma Regulamentadora nº 1 passou a exigir provas técnicas de como os riscos do trabalho são mapeados, transformando o cuidado com saúde mental de um gesto opcional em uma responsabilidade técnica e legal. Agora, quando há evidências de que um profissional adoeceu por conta do trabalho, a empresa pode ser chamada para comprovar quais medidas preventivas implantou, tornando o cuidado uma obrigação comprovável e não apenas um discurso.
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Os principais riscos mapeados incluem sobrecarga, assédio, jornadas exaustivas, pressão por prazos, conflitos e falta de apoio. Dados do Ministério da Previdência Social mostram crescimento de 15% em afastamentos por saúde mental, com predominância de ansiedade e depressão. O Brasil lidera globalmente em casos de transtorno de ansiedade e ocupa o 5º lugar em taxas de depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde.
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Pesquisas mostram que o trabalhador brasileiro tem índice de engajamento de 32%, acima da média latino-americana, mas 45% declaram ter vivenciado níveis agudos de estresse durante o expediente. Isso desmonta a ideia de que um time engajado não tem problemas. É possível gostar do que faz e estar no limite simultaneamente, o que significa que o cuidado não pode ser tratado como prêmio apenas para quem já vai bem.
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Wellbeing washing, ou 'lavagem de bem-estar', refere-se a empresas que falam sobre benefícios de cuidado, mas não agem na prática. A confiança não se anuncia, se confirma repetidamente no dia a dia. Um estudo do McKinsey Health Institute mostrou que lideranças têm percepção 22% mais alta da saúde mental dos colaboradores do que eles mesmos, revelando a distância entre discurso e realidade.
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Segundo pesquisas de Paul Zak sintetizadas em 'Trust Factor', funcionários em culturas de alta confiança vivenciam 74% menos estresse, 106% mais energia no trabalho, 50% mais produtividade e 76% mais engajamento. A neurociência comprova que a confiança aumenta a capacidade de empatia, reduz reações defensivas ao medo e arrefece os efeitos inflamatórios do estresse prolongado.
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Um programa de saúde integrada deve estruturar-se em quatro pilares: físico, emocional, financeiro e social. Iniciativas práticas incluem Clínica de Atenção Primária à Saúde, programas de gestação segura, ginástica laboral, consultoria financeira personalizada, atendimento psicológico e psiquiátrico. O diferencial está em aplicar internamente as mesmas soluções oferecidas ao mercado, reafirmando o compromisso com cuidado integral.
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A coerência entre discurso e prática é fundamental. Empresas que alcançam alta confiança mantêm programas consistentes ao longo dos anos, com colaboradores que confirmam na prática o que é comunicado. Quando 97,9% dos colaboradores sentem orgulho, 91,9% confiam na liderança e 93,7% veem alinhamento entre comunicação externa e realidade interna, o portfólio de benefícios se transforma em cuidado genuíno, não em política de RH.