Seus dados podem ajudar a construir um seguro mais adequado para você?

Reading Time: 4 minutesO Open Insurance amplia as possibilidades de compartilhar informações entre empresas do setor e pode facilitar comparações, personalizar soluções e simplificar serviços. Mas o consumidor continua no centro da decisão sobre seus próprios dados.

Por: Marcia Tojal
Atualizado em: 21/09/2026
4 min
Mulher usando celular em ambiente de escritório com ícones ao redor representando Open Insurance, como documentos, usuário, casa e saúde, sugerindo serviços de seguros digitais
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Contratar ou trocar um seguro ainda pode significar refazer etapas e fornecer informações que já fazem parte da relação do consumidor com o mercado. O Open Insurance nasce para mudar essa lógica: com autorização do cliente, dados sobre produtos, contratos e histórico relacionado a seguros podem ser compartilhados de forma padronizada entre empresas participantes do sistema.

Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o Sistema de Seguros Aberto permite o compartilhamento de informações relacionadas a seguros, previdência complementar aberta e capitalização entre sociedades autorizadas ou credenciadas pelo órgão.

A mudança mais importante está em quem passa a comandar essa circulação. Os dados não ficam automaticamente disponíveis para todas as empresas: o compartilhamento de informações pessoais depende do consentimento do cliente. Na prática, a proposta é dar ao consumidor mais autonomia para levar parte de seu histórico de uma empresa a outra, sem necessariamente recomeçar toda a relação do zero.

Mais informação pode significar uma solução mais adequada?

Conhecer melhor o consumidor pode ajudar uma empresa a entender suas necessidades e oferecer produtos mais aderentes ao seu perfil. É uma possibilidade importante, mas não uma garantia automática de preço menor ou de uma oferta necessariamente melhor.

A própria Susep aponta entre os benefícios esperados do Open Insurance a possibilidade de customização, maior conveniência, desenvolvimento de soluções digitais, estímulo à concorrência e uma experiência mais simples para o consumidor.

Isso acontece porque a informação deixa de ficar restrita à empresa com a qual a pessoa mantém determinado produto. Com autorização, os dados podem circular dentro do ecossistema seguindo padrões estabelecidos.

O resultado pode ser uma mudança importante na relação entre cliente e mercado. Se diferentes participantes conseguem, com consentimento, acessar informações relevantes sobre aquele consumidor, torna-se mais fácil desenvolver serviços capazes de considerar seu histórico e suas necessidades.

Em 2024, por exemplo, ao anunciar o credenciamento da primeira Sociedade Processadora de Ordem do Cliente (SPOC), a Susep destacou o potencial de uso do histórico do consumidor para buscar produtos mais adequados à sua realidade.

Comparar também pode ficar mais fácil

Mulher segurando celular com app de Open Insurance aberto, enquanto usa notebook e toma café à mesa em ambiente com plantas e luz natural
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Outra possibilidade é tornar mais simples algo que nem sempre é fácil no mercado de seguros: comparar alternativas.

A primeira fase do Open Insurance disponibilizou informações públicas sobre produtos, coberturas e canais de atendimento. Esses dados já permitiram o desenvolvimento de ferramentas de comparação. Em 2023, por exemplo, a Susep anunciou uma plataforma criada a partir das informações disponibilizadas pelo sistema, permitindo consultar e comparar coberturas de seguros, modalidades de previdência complementar aberta e características de títulos de capitalização.

À medida que o ecossistema evolui, a lógica vai além da comparação de informações públicas.

As chamadas Sociedades Processadoras de Ordem do Cliente (SPOCs), credenciadas pela Susep, podem oferecer serviços como agregação de dados e painéis de informação e controle. Com autorização expressa do cliente, também podem representá-lo na execução de determinados serviços.

Isso abre espaço para experiências em que o consumidor consiga visualizar diferentes partes de sua vida securitária em um mesmo ambiente, em vez de consultar separadamente cada empresa com a qual mantém relacionamento.

E a portabilidade?

O potencial do Open Insurance também está na execução de serviços. O escopo apresentado pela Susep contempla operações como modificações, resgate ou portabilidade e aviso de sinistro. A integração entre sistemas pode, portanto, reduzir etapas em processos que tradicionalmente exigem interações separadas com diferentes instituições.

Há ainda uma transformação mais ampla. O Open Insurance foi concebido para ser interoperável com o Open Finance. A regulamentação de interoperabilidade permite o compartilhamento padronizado e consentido de informações entre participantes dos sistemas financeiro e securitário. A ideia é que, progressivamente, o consumidor tenha maior capacidade de utilizar seus próprios dados para acessar serviços financeiros e de seguros.

Compartilhar dados exige atenção

As possibilidades trazidas pela integração vêm acompanhadas de uma questão essencial: privacidade e segurança.

No Open Insurance, o consentimento para o compartilhamento de dados pessoais deve ser uma manifestação livre, informada, prévia e inequívoca, realizada eletronicamente e vinculada a finalidades determinadas.

Em outras palavras, autorizar uma empresa a acessar determinadas informações não significa dar uma autorização irrestrita para utilização dos dados.Antes de consentir, no entanto, vale observar algumas perguntas simples: quais informações serão compartilhadas? Com qual empresa? Para qual finalidade? E o que será feito com esses dados?

Esses cuidados conversam diretamente com os direitos previstos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) destaca, entre os direitos dos titulares, o acesso às informações sobre o tratamento de seus dados, a possibilidade de saber com quem eles foram compartilhados e, quando o tratamento se baseia no consentimento, a possibilidade de revogá-lo.

A segurança também faz parte da própria arquitetura do Open Insurance. Apenas seguradoras, entidades abertas de previdência complementar e sociedades de capitalização autorizadas pela Susep podem participar como sociedades supervisionadas, além das SPOCs devidamente credenciadas. A Susep mantém informações sobre quem pode participar do ecossistema.

No final, mais interoperabilidade significa, para o consumidor, ter novas formas de comparar produtos, reunir informações e acessar serviços. Para as empresas, conhecer melhor as necessidades do cliente pode ajudar no desenvolvimento de experiências e soluções mais aderentes. Mas a palavra-chave está na relação entre um e outro: confiança. Quanto mais dados entram na equação, mais importantes se tornam transparência, segurança e clareza sobre como essas informações serão utilizadas. 

Dúvidas mais comuns

Open Insurance, ou Sistema de Seguros Aberto, é um sistema que permite o compartilhamento padronizado de dados sobre produtos, contratos e histórico de seguros entre empresas participantes, com autorização prévia do cliente. Diferentemente do sistema anterior, o cliente tem autonomia para decidir como, quando e com quem compartilhar seus dados, sem necessidade de refazer todas as informações ao trocar de seguradora.

O compartilhamento de dados no Open Insurance ocorre exclusivamente com consentimento do cliente, que deve ser livre, informado, prévio e inequívoco. O cliente autoriza quais informações serão compartilhadas, com qual empresa e para qual finalidade específica. Os dados circulam dentro do ecossistema seguindo padrões estabelecidos pela Susep, e o cliente pode revogar seu consentimento a qualquer momento, conforme previsto pela Lei Geral de Proteção de Dados.

Os benefícios incluem customização de produtos mais adequados ao perfil do cliente, maior conveniência, desenvolvimento de soluções digitais, estímulo à concorrência entre seguradoras e uma experiência mais simples. Além disso, o sistema facilita a comparação de alternativas de seguros, permite visualizar diferentes produtos em um mesmo ambiente através das SPOCs (Sociedades Processadoras de Ordem do Cliente) e reduz etapas em processos como portabilidade e resgate.

Open Insurance é uma parte do Open Finance focada exclusivamente em seguros, previdência complementar aberta e títulos de capitalização. Enquanto o Open Finance abrange o setor financeiro como um todo, o Open Insurance é interoperável com ele, permitindo que progressivamente o consumidor tenha maior capacidade de utilizar seus próprios dados para acessar tanto serviços financeiros quanto de seguros de forma integrada.

O Open Insurance foi implementado em três fases. A primeira fase, de dezembro de 2021 a junho de 2022, disponibilizou informações públicas sobre produtos, coberturas e canais de atendimento, permitindo o desenvolvimento de ferramentas de comparação. As fases subsequentes expandiram o compartilhamento de dados pessoais com consentimento e a execução de serviços como modificações, resgate, portabilidade e aviso de sinistro.

Antes de consentir com o compartilhamento, questione: quais informações serão compartilhadas, com qual empresa, para qual finalidade e o que será feito com esses dados. Você tem direito de acessar informações sobre o tratamento de seus dados, saber com quem foram compartilhados e revogar o consentimento a qualquer momento. Apenas empresas autorizadas pela Susep podem participar do ecossistema, garantindo segurança adicional.

O Open Insurance facilita a comparação através de ferramentas desenvolvidas com informações públicas do sistema e de plataformas criadas pela Susep que permitem consultar e comparar coberturas de seguros, modalidades de previdência complementar aberta e características de títulos de capitalização. As SPOCs também oferecem serviços de agregação de dados e painéis de informação que permitem visualizar diferentes produtos em um único ambiente.

A segurança faz parte da arquitetura do Open Insurance. Apenas seguradoras, entidades abertas de previdência complementar e sociedades de capitalização autorizadas pela Susep podem participar como sociedades supervisionadas, além das SPOCs devidamente credenciadas. O consentimento deve ser específico e vinculado a finalidades determinadas, e a Susep mantém informações sobre quem pode participar do ecossistema, garantindo que apenas instituições confiáveis tenham acesso aos dados.

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