Seguro não é só carro: o que os brasileiros estão protegendo?

Reading Time: 4 minutesDados de 2026 mostram avanço dos seguros de vida e ajudam a revelar um mercado de proteção que vai muito além do automóvel.

Por: Marcia Tojal
Atualizado em: 21/09/2026
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Casal em casa conversando e usando celular e tablet na sala, com xícara e notebook sobre a mesa; imagem que remete a tecnologia e informação sobre segurança no trabalho e direitos da nova NR-1
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Se alguém perguntasse agora o que você mais protege na sua vida, o que viria à cabeça primeiro? Para boa parte das famílias brasileiras, a resposta ainda seria o carro. Mas um olhar mais de perto sobre os números do mercado de seguros mostra que essa resposta está mudando e em um ritmo que vale a pena acompanhar.

No primeiro semestre de 2026, os seguros de danos e pessoas, excluído o VGBL, movimentaram R$ 113,86 bilhões, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep). O valor representa crescimento de 6,51% em relação ao mesmo período de 2025.

Embora o seguro auto continue liderando entre as modalidades detalhadas pela Susep, com R$ 30,73 bilhões em prêmios — o valor pago pelos segurados às seguradoras pela contratação da cobertura —, outros segmentos vêm avançando em ritmo mais acelerado. O auto cresceu 6,29% e 1,86% acima da inflação, enquanto o seguro de vida avançou 10,29% nominalmente e 5,70% em termos reais.

O movimento também aparece em outras frentes de proteção. Seguros financeiros, habitacional e fiança locatícia registraram altas superiores às do auto no período, indicando um mercado cada vez mais distribuído entre diferentes tipos de risco.

Na prática, a proteção deixa de estar concentrada apenas em bens mais tradicionais e passa a ocupar mais espaço também em temas ligados à vida, à renda, à moradia e às obrigações financeiras. É nesse cenário que ganha força uma pergunta mais ampla: o que, afinal, os brasileiros estão escolhendo proteger hoje?

Vida: quando o risco não está em um bem

Um carro roubado ou uma casa atingida por um incêndio representam perdas fáceis de visualizar. Menos visível, mas potencialmente mais duradouro, é o impacto financeiro provocado pela perda de renda de alguém que sustenta parte importante do orçamento familiar.

É nesse ponto que a proteção deixa de olhar apenas para os bens e passa a considerar também as pessoas.

Embora ainda seja muito associado à indenização por morte, o seguro de vida pode ir além disso: dependendo do  produto contratado, também é possível incluir coberturas para invalidez ou para diagnóstico de determinadas doenças graves. A lógica é preservar a capacidade financeira diante de acontecimentos que podem ameaçar a renda ou gerar novas despesas.

O avanço de 10,29% do seguro de vida no primeiro semestre de 2026 ganha relevância nesse contexto: o ritmo de crescimento foi superior ao registrado pelo seguro auto no mesmo período.

Patrimônio vai muito além do carro

Se o automóvel concentra a maior parcela dos prêmios entre os seguros de danos, ele representa apenas uma das frentes de exposição patrimonial. Casas, estabelecimentos comerciais, máquinas, equipamentos e estoques também podem concentrar parte significativa dos recursos de uma família ou de uma empresa.

Uma tempestade pode atingir uma residência. Um incêndio, interromper as atividades de um estabelecimento. Uma falha elétrica, comprometer equipamentos essenciais a um negócio. O risco muda conforme o patrimônio  e a proteção precisa mudar junto.

Por isso, mais do que escolher um seguro pelo nome, é preciso entender qual perda se pretende proteger e em quais situações a cobertura poderá ser acionada. Limites de indenização, franquias, carências, quando houver, e exclusões contratuais ajudam a definir o alcance real dessa proteção.

Quando o patrimônio fica exposto por causa do trabalho

Nem todo prejuízo começa com a perda ou destruição de um bem. Em algumas atividades, o risco está nas consequências financeiras de uma decisão, de um serviço prestado ou de uma reclamação feita por terceiros.

Um médico pode ser questionado por um paciente. Um arquiteto, por problemas relacionados a um projeto. Um profissional liberal, por um prejuízo atribuído ao serviço que prestou. Executivos e administradores também podem ser responsabilizados por determinados atos praticados no exercício de suas funções.

É nesse campo que entram diferentes modalidades de seguro de responsabilidade civil. A Susep reúne, nesse grupo, produtos destinados a riscos distintos, entre eles a responsabilidade civil profissional e o D&O (Directors and Officers), relacionado à responsabilização de administradores.

Aqui, a proteção não está voltada necessariamente para um dano físico, mas às consequências financeiras de uma responsabilização perante terceiros, de acordo com as condições previstas na apólice.

A digitalização adiciona novas camadas ao risco

A ampliação das formas de proteção acompanha também mudanças na maneira como pessoas e empresas trabalham, vendem, armazenam informações e se relacionam com clientes.

Hoje, sistemas sustentam pagamentos, vendas, atendimento, acesso a dados e etapas inteiras das operações de uma empresa. Quando essa infraestrutura falha ou é comprometida, o prejuízo pode ultrapassar o ambiente digital e atingir faturamento, continuidade do negócio, clientes e terceiros.

Os riscos cibernéticos já fazem parte da estrutura do mercado segurador. A Susep inclui o RC Riscos Cibernéticos entre os ramos de responsabilidade civil e criou um Grupo de Trabalho sobre Seguros e Segurança Cibernética para discutir a evolução dessas exposições.

Um dos subgrupos se dedica, inclusive, aos “novos seguros para economia digital: para além do risco cibernético”. A formulação ajuda a dimensionar a mudança. A transformação tecnológica não criou apenas um novo tipo de ameaça, mas vem alterando o próprio mapa de riscos de empresas e profissionais.

O ponto de partida é o impacto

Essa diversidade muda também a maneira de pensar a proteção. A pergunta inicial não precisa ser “qual seguro eu deveria ter?”, mas “quais acontecimentos produziriam os maiores impactos financeiros se ocorressem?’.

Para uma família, pode ser a perda da principal fonte de renda. Para outra, um dano grave à residência. Para um profissional liberal, uma reclamação relacionada ao trabalho. Para uma empresa, a paralisação de uma operação, uma responsabilização ou um incidente digital.

No fim, a discussão deixa de ser apenas sobre qual seguro contratar e passa a ser sobre estratégia de proteção: entender quais riscos têm potencial de gerar maior impacto financeiro e definir, a partir deles, onde faz sentido buscar cobertura. 

Dúvidas mais comuns

Além do seguro auto, os brasileiros estão protegendo cada vez mais sua vida, patrimônio, renda e atividades profissionais. Os principais tipos incluem seguro de vida (que cobre morte, invalidez e doenças graves), seguro residencial e habitacional (para proteção da casa), seguro de responsabilidade civil profissional (para profissionais liberais), seguro D&O para administradores, e seguros cibernéticos para empresas. Cada um desses segmentos cresceu significativamente no mercado brasileiro, indicando uma mudança no padrão de proteção das famílias e empresas.

O seguro de vida cresceu 10,29% nominalmente no primeiro semestre de 2026, superando o crescimento de 6,29% do seguro auto. Esse crescimento reflete uma mudança de mentalidade entre os brasileiros, que estão reconhecendo a importância de proteger a renda e a capacidade financeira das pessoas, não apenas os bens materiais. A perda de renda de um membro da família pode ter impacto financeiro mais duradouro do que a perda de um bem, o que explica por que mais pessoas estão buscando essa proteção.

Embora seja frequentemente associado apenas à indenização por morte, o seguro de vida moderno pode incluir coberturas para invalidez e diagnóstico de doenças graves, dependendo do produto contratado. Essas coberturas adicionais preservam a capacidade financeira diante de acontecimentos que podem ameaçar a renda ou gerar novas despesas, oferecendo proteção mais abrangente à família do segurado.

O seguro patrimonial protege bens físicos como casas, estabelecimentos comerciais, máquinas e equipamentos contra riscos como tempestades, incêndios e falhas elétricas. Já o seguro de responsabilidade civil protege contra consequências financeiras de reclamações de terceiros relacionadas a serviços prestados ou decisões profissionais, como no caso de médicos, arquitetos e profissionais liberais. Enquanto um protege contra danos aos bens, o outro protege contra responsabilizações legais.

O seguro D&O (Directors and Officers) é uma modalidade de responsabilidade civil destinada a proteger administradores e executivos contra responsabilizações por atos praticados no exercício de suas funções. Diferentemente de outros seguros que protegem bens físicos, o D&O cobre as consequências financeiras de uma responsabilização perante terceiros, de acordo com as condições previstas na apólice, sendo essencial para empresas e seus gestores.

Com a digitalização crescente, sistemas sustentam pagamentos, vendas, atendimento e operações inteiras das empresas. Quando essa infraestrutura falha ou é comprometida, o prejuízo ultrapassa o ambiente digital e afeta faturamento, continuidade do negócio, clientes e terceiros. O seguro cibernético, incluído pela Susep entre os ramos de responsabilidade civil, protege contra esses riscos digitais que se tornaram parte essencial do mapa de riscos de empresas modernas.

Em vez de começar perguntando 'qual seguro eu deveria ter?', o ideal é questionar 'quais acontecimentos produziriam os maiores impactos financeiros se ocorressem?'. Para uma família, pode ser a perda da principal fonte de renda; para outra, um dano grave à residência; para um profissional liberal, uma reclamação relacionada ao trabalho. Essa abordagem estratégica ajuda a identificar os riscos com maior potencial de impacto financeiro e definir onde realmente faz sentido buscar cobertura.

O alcance real de uma cobertura é definido por vários elementos contratuais: os limites de indenização (valor máximo que a seguradora pagará), as franquias (valor que o segurado paga antes da cobertura), as carências (períodos de espera antes da cobertura funcionar) e as exclusões contratuais (situações não cobertas). Compreender esses elementos é fundamental para saber exatamente em quais situações a cobertura poderá ser acionada e qual proteção real o seguro oferece.

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