Nem todo risco é igual: qual proteção faz sentido para você?

Reading Time: 6 minutesVida, patrimônio, renda, dívidas e saúde podem pedir proteções diferentes e nem todas elas são, tecnicamente, seguros. Entenda!

Por: admin
Atualizado em: 05/08/2019
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Em uma cozinha acolhedora, um pai abraça e dá carinho em um filho, enquanto uma mãe observa com sorriso; imagem que remete a tipos de seguros voltados à família e ao bem-estar.
Foto: Jacob Lund / Shutterstock / Modificada com IA
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Ao longo da vida, mudam os momentos, os planos, as prioridades e as preocupações. Há situações em que o foco está na renda da família; em outras, na casa, no carro, na atividade profissional, em uma dívida assumida ou na construção de recursos para o futuro. Apesar de diferentes, todas essas situações têm um ponto em comum: envolvem algum tipo de proteção.

O seguro é uma das formas de organizar essa proteção, transferindo determinados riscos para uma seguradora mediante as condições previstas em contrato. Mas ele não é o único. Previdência e planos de saúde, por exemplo, também fazem parte desse universo de proteção, embora tenham funções e regras próprias.

É por isso que existem produtos tão distintos entre si. Alguns protegem pessoas, outros patrimônio ou responsabilidades. Há ainda soluções voltadas ao planejamento de longo prazo e à saúde. Entender essa diferença ajuda a escolher com mais clareza o que faz sentido em cada fase e evita tratar como equivalentes produtos que, na prática, cumprem funções bem diferentes.

O que é um seguro?

Seguro é um contrato por meio do qual uma seguradora assume determinados riscos previstos na apólice em troca do pagamento do prêmio, nome dado ao valor pago pelo segurado pela proteção.

A apólice reúne as condições do contrato, como coberturas, exclusões, limites e obrigações das partes. Já o sinistro é a ocorrência de um evento previsto e coberto pelo seguro, como um incêndio em uma residência, por exemplo, no caso desse risco integrar a cobertura contratada. Dependendo do produto, a indenização pode ser destinada ao próprio segurado, a beneficiários indicados ou até a terceiros.

No Brasil, seguros, previdência complementar aberta e capitalização estão entre os mercados supervisionados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda, responsável pelo controle e fiscalização desses setores, além do resseguro.

Seguros

Ilustração com uma pessoa segurando símbolos que representam tipos de seguros, como casa, carro, família, carteira, planta e saúde, com ícones em círculos ao redor.
Ilustração gerada digitalmente

Os seguros existem para reduzir o impacto financeiro de determinados riscos previstos em contrato. Dentro desse universo, há diferentes grupos de acordo com aquilo que está sendo protegido.

Seguros de pessoas

Neste grupo estão produtos cujo foco é a própria pessoa ou seus beneficiários. A Susep inclui entre os exemplos seguros de vida, acidentes pessoais, viagem e prestamista.

Seguro de vida

É uma das modalidades mais conhecidas. Pode prever o pagamento de indenização aos beneficiários em caso de morte do segurado e, de acordo com o produto contratado, incluir outras coberturas, como invalidez, doenças graves ou incapacidade temporária.

Por isso, o seguro de vida não precisa ser pensado apenas em relação à morte. Dependendo das coberturas escolhidas, ele também pode ajudar a proteger a renda e o planejamento financeiro diante de acontecimentos que afetem a capacidade de trabalhar.

Seguro de acidentes pessoais

O seguro de acidentes pessoais oferece coberturas relacionadas a acidentes, como morte acidental e invalidez permanente total ou parcial por acidente, conforme as condições contratadas.

Pode ter relevância especial para profissionais que dependem diretamente da própria capacidade de exercer sua atividade, como autônomos, embora as coberturas e os públicos variem de um produto para outro.

Seguro viagem

O seguro viagem protege contra determinados imprevistos ocorridos durante uma viagem. As coberturas podem incluir despesas médicas, hospitalares e odontológicas, morte ou invalidez por acidente e perda ou roubo de bagagem, de acordo com o contrato.

No caso das viagens internacionais, a Susep determina que o produto ofereça, no mínimo, cobertura para despesas médicas, hospitalares e odontológicas em viagem, sem se limitar exclusivamente a acontecimentos provocados por acidentes.

Antes de viajar para o exterior, também é importante verificar as exigências específicas do país de destino, que podem variar.

Seguro prestamista

O prestamista está ligado a uma dívida ou compromisso financeiro. Se ocorrer um evento previsto no contrato, o seguro pode quitar, amortizar ou assumir determinado número de parcelas da obrigação.

Entre os riscos que podem ser cobertos estão morte, invalidez, desemprego, perda de renda e incapacidade temporária. Nessa modalidade, o primeiro beneficiário é o credor, até o limite da dívida existente. É comum encontrá-lo associado, por exemplo, a financiamentos de imóveis ou veículos, empréstimos, cartões de crédito e outras operações de crédito.

Seguros de responsabilidade civil

A lógica muda quando o risco envolve causar um prejuízo a outra pessoa. O seguro de responsabilidade civil protege o patrimônio do segurado diante da obrigação de reparar determinados danos provocados a terceiros, dentro das condições contratadas. Isso pode envolver indenizações decorrentes de decisão judicial, arbitragem, decisão administrativa ou acordo aceito pela seguradora.

Seguro de responsabilidade civil profissional

Para profissionais, essa proteção pode estar relacionada a reclamações decorrentes do exercício da atividade. Na área da saúde, por exemplo, médicos e dentistas podem contratar coberturas específicas de responsabilidade civil profissional.

Nesse caso, a proteção está ligada ao impacto patrimonial de uma eventual responsabilização por danos causados a terceiros no exercício da profissão, conforme as condições da apólice.

Directors & Officers (D&O) proteção para decisões de gestão

Já o D&O é voltado a administradores, diretores, conselheiros e outros profissionais que ocupam posições de gestão e podem ser responsabilizados pessoalmente por decisões tomadas no exercício de suas funções.

A lógica é diferente da responsabilidade civil profissional. Enquanto esta está ligada à atuação técnica do profissional, o D&O protege o patrimônio pessoal de quem exerce funções de administração diante de reclamações relacionadas a atos de gestão, dentro dos limites e condições contratados.

Seguros patrimoniais

Outro grupo reúne proteções relacionadas aos bens e ao patrimônio. O tipo de evento coberto varia conforme o produto e a apólice.

Seguro residencial

Voltado a casas e apartamentos, o seguro residencial pode reunir diferentes coberturas, como incêndio, danos elétricos, roubo e furto, vendaval, alagamento ou outros eventos contratados.

A própria Susep classifica o residencial como um seguro compreensivo, justamente porque pode reunir diversas coberturas em um único produto.

Além da indenização securitária, alguns produtos oferecem serviços de assistência para situações do dia a dia, como problemas elétricos ou hidráulicos. É importante observar que assistência e cobertura de seguro não são necessariamente a mesma coisa.

Seguro patrimonial empresarial

Para empresas, seguros patrimoniais podem proteger instalações, equipamentos, estoques e outros bens contra riscos definidos em contrato.

Incêndios, danos elétricos, roubo, eventos climáticos e outras ocorrências podem fazer parte das coberturas, dependendo do produto contratado.

Para uma empresa, o impacto de um dano patrimonial pode ir além do bem perdido: dependendo da atividade, pode comprometer também a continuidade da operação. Por isso, a escolha das coberturas precisa considerar os riscos concretos do negócio.

Previdência complementar aberta

A previdência complementar aberta também é supervisionada pela Susep, mas não deve ser tratada simplesmente como mais um tipo de seguro. Seu objetivo é formar recursos para complementar os benefícios da previdência social e financiar projetos de longo prazo. Os planos podem ser individuais ou coletivos.

Previdência privada

Entre os produtos mais conhecidos está o PGBL, um plano de previdência complementar aberta.

Há uma diferença técnica importante: o VGBL é classificado como seguro de pessoas com cobertura por sobrevivência, enquanto o PGBL é um plano de previdência complementar aberta. 

Embora ambos sejam usados para acumular recursos ao longo do tempo e possam cumprir funções semelhantes no planejamento financeiro, eles não têm a mesma estrutura jurídica e tributária. Essa distinção também mostra por que “previdência privada” e “seguro” não devem ser usados como sinônimos.

Seguro automotivo

O seguro de automóvel pode proteger contra prejuízos decorrentes de danos ao veículo, roubo, furto e outras situações previstas na apólice.

Também podem ser contratadas coberturas relacionadas a danos causados a terceiros e serviços de assistência, como guincho, de acordo com o produto. A regulamentação atual permite, inclusive, modalidades vinculadas ao veículo ou ao condutor.

Capitalização

Os títulos de capitalização formam outra categoria supervisionada pela Susep.

Neles, parte dos pagamentos realizados é destinada à formação de um capital que poderá ser resgatado de acordo com as regras do título. Outra parcela pode financiar despesas administrativas e, quando previstos, sorteios.

Seguro odontológico ou plano odontológico?

No dia a dia, é comum ouvir a expressão “seguro odontológico”. Mas, do ponto de vista regulatório, o produto é classificado de outra forma.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) enquadra o plano exclusivamente odontológico como uma segmentação assistencial de plano de saúde, dentro do mercado de saúde suplementar. Isso significa que ele segue regras próprias de cobertura e regulação e não pertence à mesma classificação dos seguros supervisionados pela Susep.

Na prática, o plano odontológico pode incluir consultas, exames, atendimentos de urgência e emergência e outros procedimentos previstos no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS.

Ou seja: plano odontológico e seguro podem fazer parte de uma estratégia de proteção, mas não são tecnicamente a mesma coisa.

Diferentes riscos pedem diferentes proteções

Reunião em uma sala de escritório: um consultor e dois clientes conversam sobre tipos de seguros, analisando documentos sobre a mesa e mantendo contato visual durante o atendimento.
Imagem gerada digitalmente

Não existe uma combinação de seguros que seja necessária para todas as pessoas.

Quem é a principal fonte de renda da família pode atribuir maior peso à proteção da vida e da renda. Quem possui casa ou veículo tem riscos patrimoniais específicos. Profissionais sujeitos à responsabilização por sua atividade podem avaliar seguros de responsabilidade civil. Uma pessoa com financiamento pode se deparar com o prestamista, enquanto objetivos de longo prazo podem levar à previdência complementar.

O ponto de partida, portanto, não precisa ser “quais seguros devo contratar?”, mas “quais riscos teriam maior impacto financeiro na minha vida hoje?”.

A partir dessa resposta, fica mais fácil entender quais formas de proteção fazem sentido, comparar coberturas e verificar as condições do contrato exatamente o que está protegido e o que não está.

Curiosidades

Explore nossas curiosidades e descubra como descomplicar a segurança da sua família ou negócio.

Dúvidas mais comuns

Os seguros podem ser classificados em três grandes categorias: seguros de pessoas (como vida, acidentes pessoais, viagem e prestamista), seguros de responsabilidade civil (que protegem contra danos causados a terceiros) e seguros patrimoniais (que protegem bens e patrimônio, como residências e equipamentos empresariais). Cada categoria atende a necessidades específicas de proteção em diferentes áreas da vida.

Embora ambos sejam supervisionados pela Susep, seguro e previdência complementar têm funções diferentes. O seguro transfere riscos específicos para uma seguradora mediante pagamento de prêmio, protegendo contra eventos previstos em contrato. A previdência complementar aberta, por sua vez, tem como objetivo formar recursos para complementar os benefícios da previdência social e financiar projetos de longo prazo, funcionando como uma poupança estruturada.

O seguro de vida é uma modalidade que pode prever o pagamento de indenização aos beneficiários em caso de morte do segurado. Dependendo do produto contratado, também pode incluir outras coberturas como invalidez, doenças graves ou incapacidade temporária. Dessa forma, o seguro de vida não protege apenas contra morte, mas também pode ajudar a proteger a renda e o planejamento financeiro diante de acontecimentos que afetem a capacidade de trabalhar.

O seguro de responsabilidade civil protege o patrimônio do segurado diante da obrigação de reparar determinados danos provocados a terceiros, conforme as condições contratadas. Isso pode envolver indenizações decorrentes de decisão judicial, arbitragem, decisão administrativa ou acordo aceito pela seguradora. Para profissionais, essa proteção pode estar relacionada a reclamações decorrentes do exercício da atividade, como no caso de médicos e dentistas.

O seguro residencial é voltado a casas e apartamentos e pode reunir diferentes coberturas como incêndio, danos elétricos, roubo, furto, vendaval e alagamento. Já o seguro patrimonial empresarial protege instalações, equipamentos, estoques e outros bens das empresas contra riscos definidos em contrato. Para empresas, o impacto de um dano patrimonial pode comprometer também a continuidade da operação, exigindo uma análise mais cuidadosa dos riscos concretos do negócio.

O seguro prestamista está ligado a uma dívida ou compromisso financeiro. Se ocorrer um evento previsto no contrato, o seguro pode quitar, amortizar ou assumir determinado número de parcelas da obrigação. Entre os riscos cobertos podem estar morte, invalidez, desemprego, perda de renda e incapacidade temporária. É comum encontrá-lo associado a financiamentos de imóveis ou veículos, empréstimos, cartões de crédito e outras operações de crédito.

O ponto de partida não deve ser 'quais seguros devo contratar?', mas 'quais riscos teriam maior impacto financeiro na minha vida hoje?'. Quem é a principal fonte de renda da família pode atribuir maior peso à proteção da vida e da renda. Quem possui casa ou veículo tem riscos patrimoniais específicos. A partir dessa resposta, fica mais fácil entender quais formas de proteção fazem sentido e comparar coberturas e condições do contrato.

Do ponto de vista regulatório, o plano exclusivamente odontológico é classificado como uma segmentação assistencial de plano de saúde pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), não pertencendo à mesma classificação dos seguros supervisionados pela Susep. O plano odontológico segue regras próprias de cobertura e regulação, podendo incluir consultas, exames, atendimentos de urgência e emergência e outros procedimentos previstos no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS.

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